A geladeira do brasileiro está mudando de cor e de propósito. Se até pouco tempo os refrigerantes eram protagonistas absolutos nas mesas do país, informações coleadas em 2025 e o início deste ano mostram uma virada histórica: o volume per capita de refrigerantes recuou, abrindo espaço para o avanço das chamadas bebidas funcionais.
Esse movimento não é apenas uma questão de dieta, mas um reflexo da “economia do bem-estar”, um mercado global que já movimenta mais de US$ 6 trilhões. No Brasil, o consumidor passou a encarar a bebida como uma extensão das suas escolhas de saúde, priorizando itens com menor teor de açúcar e benefícios nutricionais agregados.
Para Júlia Santana, fundadora da Vida Rio — marca focada em bebidas naturais —, o declínio dos ultraprocessados açucarados sinaliza uma mudança na identidade do consumidor. “O brasileiro deixou de olhar apenas para o preço e passou a buscar produtos que conversem com saúde e prazer. A bebida hoje precisa acompanhar o esporte, o lazer e a socialização de forma consciente”, explica a diretora.
O que dizem os números
Liderança Regional: Relatórios do IWSR Drinks Market Analysis indicam que o Brasil hoje lidera o crescimento de bebidas sem álcool e funcionais na América Latina, com forte adesão do público jovem.
Orçamento Familiar: Dados recentes da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE confirmam que as famílias estão gastando mais com produtos naturais e de baixo teor de açúcar.
Tendência Premium: Estudos da Bain & Company reforçam que o “lifestyle” saudável se tornou o principal motor de crescimento do mercado de bebidas premium.
Benefício além do rótulo
A grande aposta das bebidas funcionais para os próximos anos é a relevância cultural. Em vez de apenas matar a sede, o objetivo desses novos produtos é oferecer uma “experiência de bem-estar”. No caso de marcas que seguem a linha da Vida Rio, o apelo visual e os ingredientes locais (como frutas tropicais e ativos naturais) conectam o consumo ao hábito de atividades ao ar livre e ao autocuidado.
O desafio para o setor, segundo especialistas, é escalar a produção sem perder a qualidade dos ingredientes que atraíram esse novo público. O futuro, ao que tudo indica, é menos gás e açúcar, e muito mais funcionalidade e consciência.
Fonte: band.com.br
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